Os 3 Erros ao Aprender Yorùbá!

Mo kí gbogbo – Saudações a todos!

 

Mostrarei hoje porque você ainda está empacado em tirar proveito do Curso de Yorùbá Gratuito e mostrarei os três caminhos que você não deve seguir para aprender este lindo e mágico idioma. Caso já esteja em alguns desses erros, saia correndo agora mesmo, irei te ajudar nisso. Caso ainda não enveredou por ele, que bom. Mantenha-se assim.

O material que você acabou de acessar já foi baixado por mais de 3 mil alunos (Até o exato momento). Muita gente gostaria de ter acesso a conhecimento assim: gratuito e de qualidade!

Vamos então tirar o máximo de proveito dele. Aprender o idioma Yorùbá e levar esse conhecimento para frente, pois assim que você dominar ele, poderá ensinar a outras pessoas.

 


#1 – Aprender Com Pessoas Que Você Julga Ser Conhecedora Sem Mostrar Antes ou Confundir Autoridades de Assunto.

 

Em 2010 quando estava ensinando a um grupo de alunos na Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma determinada aluna quis me apresentar ao seu Bàbálòrìsà, que segundo ela, também era um grande conhecedor do idioma Yoruba.

No dia do encontro, logo vi que ela havia confundido tudo. O estimado senhor era um grande conhecedor de Odù, de feitura e fundamentos, com uma longa história no Candomblé.

Como ela tinha visto isso e às vezes ela perguntava como se dizia algumas coisas básicas dentro da religião, associou logo as autoridades. Na verdade, ele passava aqueles termos básicos que comumente as pessoas falam, mas que não é Yorùbá. Maionga, Hundaime, Dofono e outros termos como Mona, Muko

Muitos termos estão incorporados ao Candomblé devido a organização do mesmo. Acompanhando os fatos históricos, concluímos que a religião é uma organização de diversos cultos em um só. Alguns destes cultos vinham de regiões de outras etnias, consequentemente, outros idiomas, outra cultura.

Ainda temos uma outra parcela de termos vindo do mundo LGBT, mas que mesmo assim tem alguma ligação com algum idioma afro. Inclusive esse senhor ensinava que quenda significava: olha! Como sempre digo: ainda temos muito a caminhar no aprendizado e ensino do idioma Yorùbá.

Então, ao deparar-se com algum professor de Yorùbá ou alguma aula de Yorùbá, busque ter acesso a algum material e vê se atende ao que busca, uma amostra de curso. Hoje está mais comum Cursos de Yorùbá e Aulas de Yorùbá por ai, mas veja se não são aulas de termos de Candomblé e não idioma prático.


#2 – Aprender Através de Cantigas e Orações

Ainda um pouco ligado ao o outro, aprender através de cantigas (àwon orin) é um terrenos perigoso e com 80% de você cair em erros. Inclusive, eu ganhei um inimigo na religião por conta de traduções... coisa pra outra postagem!

Muito me é pedido um curso ou material de cantigas, quem me conhece a mais tempo sabe que reluto ao produzi-lo. Uma área em que até mesmo o grande mestre José Benistes caminha com cautela.

Traduções de cantigas não são tão simples e muitas vezes a pessoa até se decepciona com algumas letras. Temos uma cabeça diferente do povo daquele lado do Oceano. A forma como eles formam as palavras muda bastante do Português.

Algumas letras realmente se perderam e com o passar de boca-ouvido constante, numa espécie de telefone sem fio, palavras são trocadas e todo um contexto é modificado. E ao passar para o papel vem o pior desastre: o Yorùbá não se escreve como se ouve.

Se uma pessoa não é conhecedora das regras básicas do idioma, que ensino em meus materiais básicos – Dicionário de Yorùbá + Vídeo Aulas Curso de Yorùbá Gratuito -, a pessoa escreve errado e passará adiante assim. Lembrando que também pode acessar nossas aulas no Youtube – Canal Educa Yorùbá.

Ainda mais complicada é a situação entre as Casas de Santos (Àwon Ilé T’òrìsà). Cada casa ou cada Àse costuma ter sua cartilha em relação a jogo e fundamentos. Com as cantigas não foi diferente. No Candomblé, há diferença entre o que se canta em uma casa e o que se canta em outra. E isso gera uma situação chata.

 

 


#3 – Um Dicionário e Muita Disposição de Consulta

Outra forma errada de se aprender o idioma, mas na verdade meio errada e não totalmente, é a adoção de um dicionário como mentor de ensino. O aluno que adota somente ele como ferramenta de aprendizado, pode realmente vir a ter muitas palavras para pronunciar e se expressar. No entanto, cai no erro do desconhecimento das regras de conversação, pronúncia, entonação e ritmo. Sendo as três primeira essenciais para uma comunicação efetiva.

Há muitos bons dicionários atualmente no mercado, na verdade, mais dicionários que cursos. Eduardo Fonseca e Professor José Benistes são os meus favoritos. Tem o meu Dicionário Básico de Yorùbá também (APROVEITE, ELE ESTÁ ACOMPANHANDO UM CURSO EM VÍDEOS AULAS).

 

Resumo:

1 – Não confunda autoridade religiosa com autoridade em conhecimento do idioma. Assim deveria ser, mas geralmente um zelador ou zeladora tem muitas outras coisas a se preocupar e aprender.

2 – Cantigas, rezas e tudo que está muito ligado a religião, geralmente está misturado com outras etnias, pois assim é o Candomblé. Então cuidado para não pensar que tudo que é dito num ilé é Yorùbá.

3 – Um dicionário é uma excelente ferramenta quando caminha junto com aulas bem estruturadas e com um didática leve. Não monopolize o uso dele.

 

Então é isso, nos vemos no próximo e-mail que lhe enviarei daqui a 2 dias.

 

 

O dábò gbogbo!!
Prof. Vander